As músicas que eu quero que meu filho ouça

Nos últimos tempos este título pode ser interpretado como um título ditador.

Digo isso porque recentemente uma mãe disse para mim que seu filho é quem decide o que vai ou não ouvir. O critério último sobre o que a criança consumirá em termos de música é o gosto da própria criança. Ela aprova ou desaprova.

Estou partindo de um princípio conservador, onde os pais escolhem o que a criança irá ou não irá assistir na TV, ou quais clipes irão assistir,  quais livros irão ler, quais músicas vão ouvir, até que eles aprendam o que é arte, beleza e verdade.

Sendo assim, trocamos os critérios da criança, por critérios dos pais.

E para não falar mal de certos desenhos musicais famosos da atualidade, falarei apenas o que procuro no musical, ou animações, clips, para que ele possa assistir.

Para iniciar, vou pegar critérios do teólogo Francis Schaeffer para nos ajudar nessa tarefa. Schaeffer nos dá, em seu livro “A Arte e a Bíblia”, 4 padrões de julgamento para uma obra de arte. (pág 53)

Preciso comentar algo antes.

Já começamos a ter problemas aí. Dificilmente esses desenhos, ou clips, são tratados como arte. Estamos em crise nessa questão. Quem procura fazer arte genuína, geralmente passa fome nesta terra. A arte de modo geral sempre foi sustentada por mecenas, por grandes ricos amantes de boa arte.

Digo isso porque os donos destes grandes desenhos animados estão milionários, e assim trabalham como linha produção de desenhos para aproveitarem a “onda” do momento, surfando na prancha das grandes produtoras. Não os culpo. Mas precisamos entender o contexto disso tudo para não sermos pegos desprevenidos.

Voltando ao Schaeffer.

Seus critérios são:

  • Excelência técnica
  • Validade
  • Conteúdo intelectual, a cosmovisão que está sendo comunicada
  • Integração entre conteúdo e o veículo

Comentarei um a um.

A Excelência técnica

Algumas obras já esbarram neste primeiro critério. Um desenho mal acabado, uma música mal tocada, mal cantada, um traço grosseiro, um repertório antigo e sem pé nem cabeça, são critérios que me impedem de apresentar algo para o meu filho.

A excelência técnica diz quanto a qualidade daquilo que foi produzido. Podemos encontrar conteúdo ruim com uma parte gráfica excelente. Este é outro problema que falarei mais adiante. Mas precisamos zelar que nossas crianças estejam expostas à boa arte. Por isso analise se as coisas que teu filho vê são de fato boas tecnicamente falando. Procure um artista plástico, um ilustrador, um músico competente para avaliar aquilo que você tem colocado para seu filho ver.

A estética é algo fundamental para a vida. Nós não vivemos sem o belo, sem a excelência. Ela é tão vital como a higiene, a água e etc. Ninguém vive bem em um lugar, sujo, bagunçado, feio. Embora, dada as aberrações político-sociais que vivemos, enaltecem a vida nas comunidades ou favelas por todo o Brasil. Mas a verdade é que ninguém vive bem em lugares tão degradados. Todos querem um lugar planejado, arborizado, com jardinagem e etc. Criar na mente da criança uma boa noção do que é belo a ajudará por demais no seu crescimento.

Portanto, zele pela excelência técnica.

Validade

Este tópico trata sobre a honestidade do artista para com sua obra e sua visão de mundo.

Você pode perguntar:

Por que este artista fez este desenho? Fez por que quer transmitir valores? Ou por que quer apenas ganhar dinheiro? Existe originalidade nisto? Algo nesta arte fala à alma humana?

Se o artista estiver comprometido com algo que extravasa à sua arte, isso ficará claro na sua produção. É algo inevitável.

Percebe como já não poderemos chamar de arte, algo que foi feito apenas para ganhar dinheiro?

É óbvio que a arte tem um preço e o artista precisa sobreviver de algum modo. Mas é bem diferente uma obra artística de uma linha de produção em massa.

A validade nos diz sobre isso. A existência desse produto é justificável? É válida?

Conteúdo intelectual

Este tópico diz respeito à visão de mundo do artista. Toda arte tem uma cosmovisão. Nada é inocente. A arte sempre comunica alguma coisa e essa alguma coisa tem a cosmovisão do artista. É nisso que precisamos estar atentos.

Temos a tendência de vermos tudo o que é produzido para crianças como algo inocente. Não se enganem, nada é inocente.

Até agora não falei obre conteúdo cristão especificamente, e isso foi proposital. Porque entendo que a criança pode ver de tudo. Aliás, os piores produtos para criança em termos de áudio-visual está no redil evangélico. Infelizmente.

Perceba a seriedade do estou falando. Mesmo dentro do mundo dito evangélico, podemos encontrar uma cosmovisão totalmente distorcida. Podemos encontrar visões fundamentalistas, ou liberais, e tantas outras variações anti-Deus.

Quando Deus criou o mundo, ele não colocou o nome dele nas coisas existentes. Mas dado o seu grande poder e glória, não podemos atribuir essa arte magnífica a outro ser, senão o grande Deus infinito e onipotente. A Bíblia não nos autoriza a dar glória a outro ser pela criação vista por todos os lados. Aliás ela condena isso. Toda boa arte, tem um bom conteúdo e uma boa cosmovisão mesmo que seja produzida por não cristãos.

Infelizmente nós cristãos ainda engatinhamos nessa questão.

Integração entre conteúdo e veículo

Este ponto diz sobre a coerência entre o que é produzido e a mídia que vai comunicar tal arte.

Por exemplo:

-Você já foi consultar um dentista que é fumante?

-Ou já procurou um personal-trainer que é obeso?

-Ou ainda um médico qualquer que não tem zelo pessoal, ou higiene?

-Um belo quadro numa moldura ruim.

Estes são problemas clássicos de integração de conteúdo e veículo. Um conteúdo precioso que é apresentado numa embalagem ruim desacredita o produto. É preciso saber que beleza e conteúdo andam juntos.

Bons artistas, vão sempre buscar a coerência entre o conteúdo e sua apresentação. Uma bela música mal gravada, não mostrará o potencial verdadeiro daquela canção. Uma bela história mal contada, acaba por estragar a história.

A música que eu quero que me filho ouça é:

  • Excelente tecnicamente, é bela em sua manufatura, é agradável aos sentidos.
  • Ela é feita de forma genuína, com dedicação, como um artesão faz sua rede, ou molda a argila. Faz a arte como reconhecimento (consciente ou não) de uma dádiva dada por Deus, o supremo artista.
  • Ela é rica em conteúdo, fazendo com que a cognição do meu filho cresça. Desejo que a arte enriqueça meu filho e não faça ele gastar seu tempo inutilmente.
  • Tem coerência entre conteúdo e beleza. Desejo que ele se encante com o que ele pode aprender daquilo, mas também se encante com a beleza da verdade daquela arte.

Assim como eu quero mais do belo em minha vida, desejo o belo por excelência para meu filho.

Texto de Diego Venâncio, músico e compositor cristão.

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